Queima!
Queima! Brada o povo diante da moça de longa túnica branca embebida em
gasolina, ou qualquer dessas coisas fortes que a deixavam nauseada.
Queima!
Homens, mulheres e crianças num espetáculo de horror e fúria.
Queima!
Queima! Não há nada mais esperado que o fósforo riscado.
Qual a
acusação? Pergunta o forasteiro intrigado. O cidadão, com a tocha na mão, coça
a cabeça. Sabe que eu nem sei?
No
tronco, as cordas deixam pouco espaço à respiração.
Bruxa!
Bruxa!
As
chamas logo crescem pra delírio e gozo da multidão. Mas tão dizendo por aí que
não foi ela. Mas tem quem não faça ideia de como ela foi parar aí – fala intrigado
alguém sem tochas.
O
público, em êxtase, vibra a cada grito de dor.
Vem o
silêncio quebrado apenas pelo trepidar das chamas. Menos uma! Menos uma o que?
Ah, sei lá, alguma coisa deve ter feito.
Não
fez.
O povo
olha mais uma vez pra trás, nada resta além do cheiro de morte. Ah, era
inocente? Paciência. Numa dessas a gente acerta.

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