E então
era uma vez um túnel.
Longo,
escuro, daquele tipo que sufoca, que a gente fica sem saber pra onde ir porque
todos os lados são exatamente iguais: o completo breu.
As
paredes causam asco, nojo mesmo, vontade vomitar. Mas aí você lembra que as
vezes nesse túnel tem algum andarilho de lanterna na mão. E você espera, cedo
ou tarde, se o andarilho falhar, há de nascer o sol.
Quantas
horas ainda faltam pra nascer o sol?
Quantas
horas?
Os dias
inteiros passam sem respostas enquanto permaneço no túnel atenta à luz. Meus
olhos já se acostumaram com o escuro, mas não meu coração.
Não me
deito, não descanso. Tenho nojo do que pode estar ao meu redor. Não toco em
nada. Minhas pernas já não aguentam mais.
Não
tenho em minhas mãos nada que me possa ajudar. Sequer um salto para a liberdade
do corpo eu posso dar. Já tentei caminhar, de um lado para o outro, sem sair do
mesmo lugar.
E por
que não amanhece?
Onde estão
os andarilhos?
O que
fizeram com as lanternas?
Choro
baixinho, sem achar explicação.
Enfim
me ajoelho, estou totalmente entregue à escuridão.
Fecho
meus olhos e adormeço. Não sei se quero acordar. Quando abro eu estremeço
porque permaneço no mesmo lugar. O escuro me abraça, nenhuma luz a me resgatar.
O chão é úmido, sufocante, mas agora é meu lar.
E lá
fico até que os anjos se apiedem de mim.

Nenhum comentário:
Postar um comentário