quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O túnel

                E então era uma vez um túnel.

                Longo, escuro, daquele tipo que sufoca, que a gente fica sem saber pra onde ir porque todos os lados são exatamente iguais: o completo breu.

                As paredes causam asco, nojo mesmo, vontade vomitar. Mas aí você lembra que as vezes nesse túnel tem algum andarilho de lanterna na mão. E você espera, cedo ou tarde, se o andarilho falhar, há de nascer o sol.

                Quantas horas ainda faltam pra nascer o sol?

                Quantas horas?

                Os dias inteiros passam sem respostas enquanto permaneço no túnel atenta à luz. Meus olhos já se acostumaram com o escuro, mas não meu coração.

                Não me deito, não descanso. Tenho nojo do que pode estar ao meu redor. Não toco em nada. Minhas pernas já não aguentam mais.

                Não tenho em minhas mãos nada que me possa ajudar. Sequer um salto para a liberdade do corpo eu posso dar. Já tentei caminhar, de um lado para o outro, sem sair do mesmo lugar.

                E por que não amanhece?

                Onde estão os andarilhos?

                O que fizeram com as lanternas?

                Choro baixinho, sem achar explicação.

                Enfim me ajoelho, estou totalmente entregue à escuridão.

                Fecho meus olhos e adormeço. Não sei se quero acordar. Quando abro eu estremeço porque permaneço no mesmo lugar. O escuro me abraça, nenhuma luz a me resgatar. O chão é úmido, sufocante, mas agora é meu lar.


                E lá fico até que os anjos se apiedem de mim.


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