A questão é que participei com esse texto de um concurso nacional (CIEE/ABL), problema é que no regulamento dizia que não podia ter ligação direta ou indireta com o CIEE, e eu sou estagiária registrada lá. Não sei se foi isso ou simplesmente fui derrotada, mas o fato é que o texto abaixo não ganhou o concurso. Se puderem, me digam o que acharam! Beijos!
Vida e obra do cabra da peste: Ariano Suassuna, o encantador do Nordeste
E
se pudéssemos pensar em um país, onde a cultura é de fato sua raiz, um país de
misturas, de povos, artes e culturas? Teve um homem em nossa história, daqueles
pra ficar na memória, que lutou bravamente - pra preservar a cultura da gente.
Nordestino lá dos sertões, brasileiro de mil corações, era o tipo de sujeito
que cria, que trazia diversão, conhecimento e alegria.
Suassuna deixou de si seu talento,
de um homem que se dizia rabugento, mas do seu jeito de ser o que marcava, eram
suas palavras que encantavam por onde passava. Revisitando seus escritos é que
vemos, o imenso talento que recentemente perdemos, as marcas da literatura de
qualidade, com graça, ternura e originalidade.
Ariano foi advogado, largou a
carreira de bom grado, mal ele sabia o quanto defendia, um cliente chamado
“alegria”. Os palcos foram seu tribunal, a cultura foi o cliente ideal, e ele –
sem nem perceber – foi o melhor advogado que a arte poderia ter.
Mas de seu tempo como advogado, não carece
muita coisa dizer. O que fez de fato seu legado, foi seu jeito porreta de
escrever.
Quantas cores, formas, amores!
Personagens que despertam paixões! É a história do povo da terra: coronéis,
donzelas e sabichões. Afinal, o que esperar de um cabra da peste que não o
retrato mais belo e puro no nordeste?
Peitou o mundo e a sociedade, das
misérias mostrou a realidade. Matutou sobre a fome e a gente excluída, fez do
povo brasileiro a razão e sua vida. Já na meninice fazia graça, nos palcos
quando a cortina se abria sentia-se em casa. Da sua mente abria-se a vida,
afinal, quem nunca se apaixonou pelo Auto da Compadecida?
Dramaturgo de vocação, até na
política meteu a mão. Não gostava, bem dizendo, esse negócio de burocracia o
deixava sofrendo. Mas a boa nova é que o cabra safado fazia bem feito até
distrenado. Do cargo público aos palcos da vida, mostrou a verdade, a vida
sofrida, explorando humor e compaixão, pelas gentes do seu amado sertão.
Ah, Ariano, que falta que faz! Nas
terras brazucas ninguém é capaz – seu jeito especial de contar suas histórias,
de vidas sofridas, batalhas inglórias. Vestiu de sol a mulher, no casamento
suspeitoso meteu a colher. Nem Nossa Senhora de ti escapou, descreveu Jesus e o
“coisa ruim” enfrentou. Nas linhas, nas falas, você nos encantou.
Oxe, moço sabido! Tuas histórias
correram o país! Teu feito não passou despercebido, qualquer artista é hoje teu
aprendiz! A pedra do reino é quem diga, se meter o santo e a porca dá briga! De
tua obra se tem tanto a dizer porque, com tanto talento, fizeste por merecer.
Fui desafiada a contar o teu valor
pra literatura. Ora veja, leitor, é Ariano Suassuna! O artista de tantas
palavras, histórias de amor e ternura. Não cabe a mim a pretensão de convencer
ao desavisado leitor que sua obra merece conhecer. Ariano foi feito de gente,
sua obra não se descreve, se sente.
Mas como ele mesmo já dizia: “tudo o
que é vivo, morre” – de fato, um dia. Mas quem deixou tamanha herança,
permanece eternamente na lembrança. Se tivesse que resumir a sua história, eu
diria: “foi feito de amor, paixão e glória”. Direto do sertão do Nordeste, a
cultura ganhou esse cabra da peste!
Deixou-nos órfãos com uma carrada de
sentimento, do teu sorriso puro restou nosso lamento, dos teus personagens
ficou a lembrança, de olhar para o mundo como uma criança porque ninguém peca
enquanto tiver esperança. E você a tinha como ninguém, acreditava no homem e no
futuro também. Ficou sua marca de quem sabe encantar, a literatura vai sempre
lembrar das doces histórias que mesmo doídas contavam as glórias das vidas
sofridas de um povo que luta sem nunca hesitar porque tem nas veias o dom de
amar. E os amaste profundamente.
A obra
é pra sempre, mas a vida chegou ao fim, da sua biografia cito Chicó: “não sei,
só sei que foi assim”.

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