Já fiz
mil desabafos sobre a minha trajetória literária, esse ano mesmo fiz um post
gigante contando meu caminho até 2015 com o lançamento do meu livro. Eu não
fazia ideia que eu teria ainda mais material de base para dizer “estou chegando
lá”.
Uma
coisa que creio jamais ter comentado, e julgo ser esse o momento mais oportuno,
é que a lembrança mais antiga que tenho na vida, por volta de 1 ano de idade,
sou eu criando histórias. Guardo com carinho o meu “cheirinho” da infância, o
livro Batalhão das Letras, de Mário Quintana.
Isso
sequer é algo que minha mãe me relatava, é de fato uma lembrança genuína minha,
segurando com as pequenas mãos aquele livro e ficando por horas em cada página,
porque o misto de personagens e situações em cada página me permitia uma longa
viagem em minha imaginação. Eu lembro com tanta clareza e não preciso abrir o
livro para descrever algumas de suas páginas.
Ser
escritora pra mim não é um passatempo nem uma terapia. Não é uma forma de botar
pra fora meus sentimentos, não é algo que eu faça pra me divertir. É tudo isso
e muito mais. É DNA, é oxigênio, é célula. É minha composição.
Mesmo
assim eu demorei pra... sair do armário. Participava de um concurso aqui, outro
ali, guardava textos a 7 chaves. As minhas depressões e meus traumas me fizeram
me sentir indigna de ser uma ESCRITORA. Eu queria oferecer ao mundo coisas realmente boas, queria me imortalizar no coração dos leitores, e não me achava boa o bastante pra isso.
Eu também não sabia ao certo o que era ser escritor, já que conhecia muita gente que não curtia literatura assim se identificava por manter um diário ou escrever um ou outro verso aqui e ali. Eu me sentia mais ou menos como um encanador se
sentiria se eu saísse dizendo que sou encanadora porque consegui apertar o cano
da pia do banheiro com sucesso uma vez.
Isso me
incomodava. Profundamente. Decidi que não poderia ser uma escritora porque todo
mundo que não dava a mínima pra literatura já o era.
Mas era
esse meu sonho de infância. Eu precisava deixar pra trás esse meu incômodo
ditatorial de achar que eu tinha o direito de dizer o que cada um pode ou não
ser. Me dei conta que a literatura é tão fascinante que todo mundo quer fazer
parte dela e isso não pode ser algo ruim. Que escrevam! Que produzam! Mas que
por favor, se importem.
Depois
de anos produzindo pouco e discretamente, entendi que não havia caminhos
viáveis na minha vida sem palavras. Para onde quer que eu vá, a literatura me
encontra. Ela sempre está lá. Não havia como fugir dela. Com a maturidade,
entendi que eu também não queria ela fora da minha vida.
No
final de 2014 eu me assumi escritora. Não oficialmente ainda. Assinei contrato
pra publicar um livro escrito 7 anos antes, mas ainda não sabia ao certo como
isso terminaria. Foi em meados desse ano que eu, publicamente, me libertei das
amarras do passado e falei pela primeira vez em alto e bom tom: EU SOU
ESCRITORA.
Isso
aconteceu quando venci em duas categorias um concurso que eu havia arriscado
sem sucesso anos atrás. Eu via meus amigos e conhecidos anunciados no jornal e
pensava que talvez jamais chegaria lá. Com o livro publicado, arrisquei mais
uma vez e, dessa vez, foi meu nome que saiu no jornal. Duplamente.
Opa.
Será?
Vamos
ver o que vai dar. Eu já tinha ganhado alguns prêmios antes, 6 para ser bem
exata. 7 com um em propaganda. 3 num único concurso em 2012.
Mas
então, sua tonta, com 7 prêmios no currículo, por que diabos você não se sentia
ainda digna para se dizer escritora?
Não
sei. Não faço a mais vaga ideia. Mas era isso, e tanto o era que meu último
concurso tinha sido em 2012. Daí eu voltei. Na véspera do encerramento escrevi
3 dos 6 textos premiados. E não parei mais.
Chego
em dezembro de 2015 com 14 prêmios, 8 deles conquistados esse ano, 5 deles
recebidos nas últimas duas semanas.
Eu não
vou parar. Não sei quantos concursos vou conquistar pela frente, se vou
participar, inclusive. Mas posso garantir desde já: eu não vou parar. Enquanto
houver oxigênio nos meus pulmões, escreverei.
Muito
obrigada a todos que me acompanham e torcem por mim. Muito obrigada por darem
significado a tudo isso. Muito obrigada por dedicarem tempo a mim, aos meus
textos, às minhas histórias. Dedico cada um desses prêmios a cada um de vocês.


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