sábado, 5 de dezembro de 2015

Saindo do armário. Literário.

                Já fiz mil desabafos sobre a minha trajetória literária, esse ano mesmo fiz um post gigante contando meu caminho até 2015 com o lançamento do meu livro. Eu não fazia ideia que eu teria ainda mais material de base para dizer “estou chegando lá”.

                Uma coisa que creio jamais ter comentado, e julgo ser esse o momento mais oportuno, é que a lembrança mais antiga que tenho na vida, por volta de 1 ano de idade, sou eu criando histórias. Guardo com carinho o meu “cheirinho” da infância, o livro Batalhão das Letras, de Mário Quintana.

                Isso sequer é algo que minha mãe me relatava, é de fato uma lembrança genuína minha, segurando com as pequenas mãos aquele livro e ficando por horas em cada página, porque o misto de personagens e situações em cada página me permitia uma longa viagem em minha imaginação. Eu lembro com tanta clareza e não preciso abrir o livro para descrever algumas de suas páginas.

                Ser escritora pra mim não é um passatempo nem uma terapia. Não é uma forma de botar pra fora meus sentimentos, não é algo que eu faça pra me divertir. É tudo isso e muito mais. É DNA, é oxigênio, é célula. É minha composição.

                Mesmo assim eu demorei pra... sair do armário. Participava de um concurso aqui, outro ali, guardava textos a 7 chaves. As minhas depressões e meus traumas me fizeram me sentir indigna de ser uma ESCRITORA. Eu queria oferecer ao mundo coisas realmente boas, queria me imortalizar no coração dos leitores, e não me achava boa o bastante pra isso.

                Eu também não sabia ao certo o que era ser escritor, já que conhecia muita gente que não curtia literatura assim se identificava por manter um diário ou escrever um ou outro verso aqui e ali. Eu me sentia mais ou menos como um encanador se sentiria se eu saísse dizendo que sou encanadora porque consegui apertar o cano da pia do banheiro com sucesso uma vez.

                Isso me incomodava. Profundamente. Decidi que não poderia ser uma escritora porque todo mundo que não dava a mínima pra literatura já o era.

                Mas era esse meu sonho de infância. Eu precisava deixar pra trás esse meu incômodo ditatorial de achar que eu tinha o direito de dizer o que cada um pode ou não ser. Me dei conta que a literatura é tão fascinante que todo mundo quer fazer parte dela e isso não pode ser algo ruim. Que escrevam! Que produzam! Mas que por favor, se importem.

                Depois de anos produzindo pouco e discretamente, entendi que não havia caminhos viáveis na minha vida sem palavras. Para onde quer que eu vá, a literatura me encontra. Ela sempre está lá. Não havia como fugir dela. Com a maturidade, entendi que eu também não queria ela fora da minha vida.

                No final de 2014 eu me assumi escritora. Não oficialmente ainda. Assinei contrato pra publicar um livro escrito 7 anos antes, mas ainda não sabia ao certo como isso terminaria. Foi em meados desse ano que eu, publicamente, me libertei das amarras do passado e falei pela primeira vez em alto e bom tom: EU SOU ESCRITORA.

                Isso aconteceu quando venci em duas categorias um concurso que eu havia arriscado sem sucesso anos atrás. Eu via meus amigos e conhecidos anunciados no jornal e pensava que talvez jamais chegaria lá. Com o livro publicado, arrisquei mais uma vez e, dessa vez, foi meu nome que saiu no jornal. Duplamente.

                Opa. Será?

                Vamos ver o que vai dar. Eu já tinha ganhado alguns prêmios antes, 6 para ser bem exata. 7 com um em propaganda. 3 num único concurso em 2012.

                Mas então, sua tonta, com 7 prêmios no currículo, por que diabos você não se sentia ainda digna para se dizer escritora?

                Não sei. Não faço a mais vaga ideia. Mas era isso, e tanto o era que meu último concurso tinha sido em 2012. Daí eu voltei. Na véspera do encerramento escrevi 3 dos 6 textos premiados. E não parei mais.

                Chego em dezembro de 2015 com 14 prêmios, 8 deles conquistados esse ano, 5 deles recebidos nas últimas duas semanas.

                Eu não vou parar. Não sei quantos concursos vou conquistar pela frente, se vou participar, inclusive. Mas posso garantir desde já: eu não vou parar. Enquanto houver oxigênio nos meus pulmões, escreverei.

                Muito obrigada a todos que me acompanham e torcem por mim. Muito obrigada por darem significado a tudo isso. Muito obrigada por dedicarem tempo a mim, aos meus textos, às minhas histórias. Dedico cada um desses prêmios a cada um de vocês.









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