Ainda estou aprendendo a amar.
Olho
teus olhos no espelho e tudo o que consigo pensar é se algum dia serei capaz de
te deixar escolher entre você e nós.
Abri
mão de tantos sonhos e vontades em que você jamais se encaixaria por crer que
tudo o que poderíamos construir valeria a pena, sem perceber que eu te
aprisionava como um pássaro de asas cortadas. Jamais quis te ferir, e foi
justamente assim que arranquei um pedaço de ti.
Ainda
estou aprendendo a amar sem amarrar. Não é algo simples, mas quando avisto teus
olhos tristonhos no espelho da penteadeira, sei que estou errando contigo. Sei
que construí uma gaiola ao seu redor e eu mesma perdi a chave.
Quisera
eu ser assim tão capaz de te libertar de mim mesma sem te perder, porque não
sou tua algoz, sou quem daria a vida por ti. Vejo que me tens muito mais como
uma carrasca do que como um amor. Isso me fere tanto quanto a ti.
Ainda
estou aprendendo a amar, tentando agir de forma a te deixar livre sem precisar
te ver partir.
Abro a
porta do quarto. Sinto a brisa leve invadir a alcova. Você se cobre. Eu sorrio.
Não parece disposto a partir. Até que as asas voltam a crescer. Te vejo passar
pela porta sem me mover. Me propus a te libertar e vou até o fim.
A porta
se fecha com você do lado de fora. Sei que te perdi.
Ainda
estou aprendendo a amar. Um aceno silencioso que você nunca viu e eu me recolho
ao meu pesar.
Antes
mesmo que eu pudesse perceber, eu sabia que também estava livre.
E nos
reencontramos. E voamos juntos.

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