Tenho o amor maior que me rala a alma, aperta o peito,
altera meus sentidos e me faz preferir perder o ar do que perder você.
Percorri
tantas estradas, tantas bifurcações, foram necessárias tantas escolhas, mas em
nenhuma delas eu abri mão de você. Não abri. Não abriria jamais. Seria capaz de
trocar todo meu futuro, meus sonhos e planos por uma noite nos teus braços. Até
porque conheceria ali tamanha perfeição, tamanha explosão de amor profundo que
nada mais no mundo seria capaz de fazer sentido.
Cruzamos
nossos caminhos como plantas daninhas. Nos fizemos tão mal quanto bem. Nos
destruímos aos poucos, e aos poucos, nos reconstruímos também. Tudo em mim
mudou de significado quando passamos a ser nós. Mesmo que jamais tenhamos de
fato sido um só.
Você
revolucionou cada pedacinho da minha vida. Nada mais é como foi um dia, e eu me
tornei não apenas uma pessoa melhor, mas também uma pessoa que descobriu o quão
devastadora pode ser a solidão quando estamos para sempre presos em um amor
verdadeiro.
Sim, eu
sei, parece contraditório, mas a verdade é que amar é um exercício de solidão e
auto-boicote. É impossível sair ileso de um amor. Estou presa nesse amor e isso
me traz tanto gozo quanto dor. Não, eu não tenho a menor intenção de me
libertar.
Dedico
a ti minhas mais doloridas lágrimas e meus mais sinceros sorrisos. Dedico a ti
a descoberta de todas as minhas vulnerabilidades e a nudez de todos os meus
sentimentos. Acreditei por toda a vida ser uma garotinha sofrida de amor,
constantemente apaixonada, quando eu ainda nem havia descoberto as desventuras
de um amor tão verdadeiro quanto impossível.
Não há
amor possível que não o amor próprio, por isso hoje não me entristeço ao pensar
que nosso amor é apenas mais uma de minhas ficções alcoviteiras.
Estou
virando especialista em fantasias. De todas elas, você é minha favorita, talvez
a que mais me machuque, mas a única que sou incapaz de viver sem. É por isso
que te amo mesmo quando te odeio. Te amo mesmo quando tenho vontade de te
apagar da minha vida ou quando me vejo chorando por horas por sua culpa. Ou
minha.
E cada
vez que te odeio, tenho ainda mais certeza de que meu amor é verdadeiro,
intenso, profundo, inesgotável e, por óbvio, eterno. Assim como não tenho mais
a ilusão de que existiremos em um universo possível como um casal de capa de
revista, também não tenho mais qualquer esperança de te tirar do meu coração.
Não
tenho ilusão mas não apenas porque não consigo simplesmente não te amar, mas
porque não quero. Talvez pareça estranho em um desabafo tão dolorido dizer com
tanta certeza que não quero deixar de te amar, mas não quero mesmo. Não. Não
quero. Nunca.
Talvez
a vida ainda me reserve uma poesia em meu leito de morte, para que eu possa
deixar como epitáfio à minha lápide:
“Viveu apaixonada para morrer de amor”.

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