Olga, não posso dizer que venci na vida, mas posso garantir
que estou a caminho. Publiquei meu livro, estou na segunda graduação, tenho uma
pós, tenho um armário cheio de prêmios literários, tenho centenas de contos,
crônicas e poesias. Talvez eu já tenha vencido na vida e não tenha notado,
saberemos na hora certa.
Mas
acima de tudo, eu sou uma privilegiada. Eu sei ler – e não uma leitura qualquer
– e eu sei escrever – e não uma escrita qualquer. Eu não seria hoje uma
escritora se não tivesse encontrado você no meu caminho. Olga, minha professora
da primeira série.
Sabe,
Olga, depois de você vieram muitos. Não vou dizer que todos me marcaram como
você me marcou – sempre tem aqueles que a gente prefere esquecer, né? Mas tive
muitos que mereciam uma carta especial também. Te escolhi porque você me
alfabetizou. Foi sob seus cuidados que nasceu a primeira frase da minha própria
mão, foi a partir de você que não dependi de mais ninguém pra contar histórias.
Você,
Olga, acaba por representar todos os outros professores que vieram depois. Cada
um do seu jeito, cada um com sua contribuição para eu ser o que sou hoje. Mas
você começou tudo isso. Por sua causa aprendi a ler muito além de apenas juntar
letras, mas compreender a mensagem, e essa compreensão me abriu um mundo de
possibilidades.
Essa
carta é uma homenagem a você e tudo o que você, professora, representa na minha
vida. Lembrarei seu nome até o último dos meus dias porque não haveria Maya
Falks sem Olga.
Obrigada
de coração por dedicar sua vida a aturar uma sala de aula cheia de crianças
loucas pra brincar no pátio e, pacientemente, nos ensinar a base que nos levou
a todos os demais professores e a tudo que somos hoje. Muito obrigada por
suportar a desvalorização, o desgaste, o cansaço e as desilusões para nos
tornar cidadãos.
Muito
obrigada, Olga, e a todas as outras “Olgas” que me tornaram possível.
Feliz
dia do professor!

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