terça-feira, 1 de março de 2016

A vida começa

                À minha mãe, esta senhora que envelhece 10 anos a cada murchada que ganha meu coração. Não há de ser fácil se mãe de quem sobra dores no peito e faltam juízos na cachola. À minha senhora mãe que engole as lágrimas quando as minhas correm porque sente que precisa ser forte. Precisa não, mãe, somos todas flores e não há pétalas de aço.

                Encoste-se comigo na cama quando minhas forças se esvaziam. Vamos juntas unir o sal de nossas lágrimas para um oceano de esperanças. Chore comigo, mãe. Não há nada de errado com isso. Errado é que eu te faça chorar de tristeza quando, depois de todas as tuas lutas, eu deveria te dar motivos para apenas chorar de emoção.

                Peço que ainda assim se orgulhe, porque quando meu corpo se encolhe e meu sangue escorre, eu me reinvento. Eu renasço a cada cicatriz, da pele ou da alma. Sim, mãe. Pode não ser do teu ventre agora, mas é do teu infinito amor que eu renasço. Morro um pouco a cada lágrima para que meu próximo sorriso seja a luz de uma nova vida.

                Uma nova vida que começa agora. E que vai se acabar não se sabe quando, para dar origem à outra, e à outra, e toda elas virão de ti e do teu infinito amor.

                Chore sim, mãe, se isso te lavar a alma. E me perdoe que te faça chorar, mas não se esqueça que naquele dia em que eu, diminuta, vim ao mundo, choraste também. Testemunhe meu renascer, porque é, de novo, o teu abraço que eu quero que seja o primeiro.


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