À minha mãe, esta senhora que envelhece 10 anos a cada
murchada que ganha meu coração. Não há de ser fácil se mãe de quem sobra dores
no peito e faltam juízos na cachola. À minha senhora mãe que engole as lágrimas
quando as minhas correm porque sente que precisa ser forte. Precisa não, mãe,
somos todas flores e não há pétalas de aço.
Encoste-se
comigo na cama quando minhas forças se esvaziam. Vamos juntas unir o sal de
nossas lágrimas para um oceano de esperanças. Chore comigo, mãe. Não há nada de
errado com isso. Errado é que eu te faça chorar de tristeza quando, depois de
todas as tuas lutas, eu deveria te dar motivos para apenas chorar de emoção.
Peço
que ainda assim se orgulhe, porque quando meu corpo se encolhe e meu sangue escorre,
eu me reinvento. Eu renasço a cada cicatriz, da pele ou da alma. Sim, mãe. Pode
não ser do teu ventre agora, mas é do teu infinito amor que eu renasço. Morro
um pouco a cada lágrima para que meu próximo sorriso seja a luz de uma nova
vida.
Uma
nova vida que começa agora. E que vai se acabar não se sabe quando, para dar
origem à outra, e à outra, e toda elas virão de ti e do teu infinito amor.
Chore
sim, mãe, se isso te lavar a alma. E me perdoe que te faça chorar, mas não se
esqueça que naquele dia em que eu, diminuta, vim ao mundo, choraste também.
Testemunhe meu renascer, porque é, de novo, o teu abraço que eu quero que seja
o primeiro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário