Hoje
matei você. Acredite, doeu muito mais em mim do que em você porque arranquei
você no fio da navalha e você não sentiu porra nenhuma. Foi o meu sangue que
escorreu, mas ainda assim, você morreu.
Não
haverá funeral. Ninguém faz cerimônia pra se despedir do que jamais deveria ter
sido, do que não fará falta. Não haverá funeral porque era sua presença que eu
costumava chorar.
Mas não
foi sem dó que matei você. Eu chorei feito louca, ouvi música de fossa, gritei,
me contorci sobre meu próprio corpo exausto de lutar para que nossa história
tivesse o final que devia ter. Depois de chorar, gritar, sofrer e arrancar
pedaços de mim até sujar de sangue meus lençóis, acabou ficando fácil de
entender que o final mais correto para nossa história é você longe de mim.
Porque
é pra longe que a gente manda aquele que pra longe nos manda.
Não
quero mais teus abraços porque são feitos de espinhos e eu realmente estou
cansada de cuidar de tantas feridas. Horas e horas de curativos para dizer que
lutei por nós? Não, bem mal, não mesmo. Pra mim chega.
Os cactos
são capazes de me ferir menos do que você me feriu.
Pensei em nomear nosso enterro das cinzas de coroa de espinhos, mas nem no título
admitirei mais feridas. Coroa de Flores. É isso que mandam aos mortos. E é de
flores que me permitirei ser rodeada daqui pra frente.
Descanse
em paz.

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