“E se
não pudermos mais lutar?”
Ele,
fragilizado, se encolheu. Estava ferido. No corpo as marcas já não se mostravam
mais, mas a alma permanecia despedaçada.
Ela
sorriu, um sorriso deveras tímido de quem fazia força pra não se deixar
fraquejar. Ela não se deixaria abater por nada.
“Nós
conseguiremos.” – Respondeu com a voz rouca de quem tranca o choro.
“Como
você consegue?” – Perguntou ele, ainda no chão.
Ela, de
pé, com o corpo repleto de cicatrizes que por lá ficariam até o final de seus
dias, respirou fundo. Não consigo – pensou em dizer – mas não era verdade,
tanto conseguia que, apesar de tudo, ainda estava de pé.
“Eles não me verão cair de joelho” – Respondeu firme. – “Ninguém jamais me colocará
de joelhos outra vez”.
Ele, do
chão, sorriu. Ela era feita de ferro, de aço, de rocha. Tentaram de tudo para
mantê-la no chão e fracassaram.
“Façam
o que fizerem, jamais me colocarão de joelhos outra vez”.
Com as
pernas firmes, colocando toda sua força para não deixar seus músculos
demonstrarem a dor que lhe atravessava o corpo, estendeu a mão a ele.
“Levante
a cabeça” – Disse ela, firme.
Como
podia? Depois de tudo o que passaram, como podia se manter inabalável? – Pensou
ele, chocado.
Se
pudesse responder ao pensamento ela diria – nenhuma alma morre duas vezes, a
pior coisa que podia me acontecer já aconteceu, nada mais me fere assim. – Ela era
o resultado do ápice da crueldade. Além de sangue, haviam arrancado dela sua
capacidade de ter medo.
E ela
não tinha mesmo. Destemida e firme. De cabeça erguida, ignorou a dor e seguiu
em frente.
Ninguém
a colocaria de joelhos outra vez.

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