domingo, 3 de julho de 2016

Meu puxadinho

                Quero encontrar aquele amor verdadeiro que arrepie os cabelinhos da nuca, que cada palavra tenha todo um outro significado que nenhum dicionário carrega. Quero aquele amor que não se importa com meus palavrões e ri das minhas piadas sem graça, mas principalmente quero aquele amor com um ombro acolhedor para quando eu precisar chorar.

                Não me adianta o amor de like de facebook, não me resolve o amor “você são o par perfeito” quando entre quatro paredes ele me faz eu me sentir minúscula. Não me agrada um amor que me use de muleta mas não me apoie quando eu não aguentar o peso e cair. Ele precisa ser muito mais do que um sorriso de propaganda de creme dental; ele tem que ser o riso que só eu conheço.

                Me interessam os amores que caibam no peito, e não aqueles que, de tão pequenos, escorregam pelos poros. Amores que escapam entre os dedos são como sabonetes que se gastam e gastam e então acabam. Eu preciso do tijolo resistente a furacões.

                Procuro um amor que não me complete, porque eu não nasci pela metade; eu procuro um amor que seja o extra, o plus, o anexo perfeito, o meu puxadinho onde guardo tudo o que tenho de mais precioso. Não me servem amores que se julgam parte de mim, de células meu corpo está cheio, o que eu preciso é de um que saiba que eu sou inteira e nós dois seremos dois, unidos, mas dois, porque cada um precisa do seu espaço.

                Eu quero aquele amor que me reconhece humana, que sabe que terei dias ruins e serei grossa, e que me perdoará por isso como eu o perdoarei se irritado falar mal do meu livro favorito. Mas um amor que jamais me transformará em saco de pancada pra descontar suas frustrações. Eu preciso de um amor que me veja como igual, e não como posse. Um amor que não use ciúme de desculpa pra me aprisionar nem um dia ruim de explicação pra me deixar com medo.

                Procuro um amor que não me proteja dos males, mas que os combata ao meu lado, porque sempre fui guerreira e nada no mundo me transforma na princesa vulnerável na torre do castelo. Um amor que também me permita lutar ao seu lado porque me entende aliada, e não um cálice de cristal.

                Busco um amor que sangre, que chore, que sinta dor. Procuro um amor que ria, que fale bobagem e tenha papo pra virar noites e noites. Procuro um amor que não me rotule, não me regule, não me controle. Procuro um amor que procura um amor, e não um objeto.

                Não sei onde ou sequer se vou te encontrar, mas te espero humano, capaz de sentir, capaz de se colocar no lugar dos outros.

                Capaz de me amar apesar de tudo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário