Eu
queria entender o que se passa nessa sua cabecinha oca quando aponta para mim e
destila tudo aquilo que você acha que me são defeitos quando na verdade são
pequenos tesouros que cultivei a vida toda com muito orgulho.
Sendo
honesta, não queria entender não, porque aquela brisa suave que passeia por
entre teus ouvidos não muda o fato de que eu adoro ser essa coisinha
transgressora da ordem natural.
Tenho
pavor da calmaria. Não foram as águas paradas que separaram os continentes. E
desde que o mundo é mundo quem ficou parado – veja só – não saiu do lugar. A
redundância foi necessária, juro que foi.
Não me
venha com suas opiniões vazias e recheadas de preconceitos bobos que eu
desconstruí ainda no jardim de infância. Se elas me interessassem, eu pediria
sem medo, como peço a todos que acredito que vão colocar algo novo nessa
cachola psicodélica que ostento sobre o pescoço.
Siga
seu caminho, coisinha fofa. Mas não pela mesma estrada que eu, o vale da
petulância fica pro outro lado. Eu vou ficar aqui mais um pouquinho,
bebericando meu Martini enquanto minhas unhas vermelhas brincam com a cereja.
Ainda tá cedo e eu quero ver o pôr do sol.
Mande
um abraço pra turma de lá. Diga que quando eu fechei a porta eu falava sério. E
que meus pés ainda tem saúde pra me levar pra longe de onde os grilhões seguem
firmes em seus tornozelos.
Não,
não vou dar dicas de libertação, enquanto suas opiniões forem sobre pessoas e
não sobre ideias, você não estará pronto.
***
E foi
assim que ela encontrou o caminho do céu.

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