quinta-feira, 2 de julho de 2015

Versos pobres

E se esse garoto
Que pede esmola na janela
Não fosse visto apenas
Como um moleque de favela

E se aquela garotinha
De sorriso tímido e vestido de bolinha
Pudesse crescer mulher forte
Com o corpo intacto, sem precisar contar com a sorte

E se essa gente esquecida
Subitamente se tornasse cidadã
Será que precisaríamos algemas
Pra salvar o amanhã?

Esse moleque faminto
Que hoje você não quer ver
Podia ser um engenheiro, advogado
Vai ser o cara que vai assaltar você

Enquanto tapamos os olhos
Eles crescem sem estrutura
Depois que viram o monstro que fabricamos
Bastar apelar pra clausura
Nem todo pobre é bandido
Nisso você tem razão
Mas se veja pobre e faminto
Você não roubaria o pão?

Nem todo bandido é pobre
Eu diria que esses sequer são exceção
Mas esses são protegidos
Quantos ricos tem na prisão?

A lei não é igual para todos
Para o rico funciona o perdão
Para o pobre, só resta uma alternativa
A chamada “lei do talião”

Já nem bradamos por justiça
Segurança não é objetivo
O que importa é que sofram
Mentalidade de povo primitivo

Se você busca justiça
Encontrará em mim apoio
O problema é a preguiça
De pensar em todo o povo

O ideal é uma sociedade próspera e rica
Mas isolamos o diferente
Tiramos deles chances e dignidade
Nem os tratamos como gente

Então presta atenção
Fica aqui a minha dica
Porque o bandido que hoje assusta
É a gente que fabrica

Se teu grito hoje é – Redução!
Eu aproveito a sua rima
E sugiro outra ideia

E essa ideia é EDUCAÇÃO.

Foto: Luciano Andrade

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