sexta-feira, 1 de maio de 2015

Rosa

Eu sempre estive na margem. Nas folhas pautadas da vida, sempre encostei nas bordas por medo de virar simples nota de rodapé.

Eu era a nerd quando ser nerd ainda não era cool. Eu sou a gorda num mundo que as pessoas parecem (na realidade não apenas parecem) achar que nosso tecido adiposo está sobre e não sob a pele. Eu sou a escritora num mundo de poucos leitores.

Escrevia poesia na aula de química. Me apaixonava fácil. Sonhava em ser foda, uma mulher de destaque, daquelas que todo mundo quer ser quando crescer, e ao mesmo tempo ficava imaginando quando encontraria um príncipe pra me proteger das mazelas do mundo.

Acabei indecisa entre a força e a delicadeza. Virei ambas. Virei nenhuma.

Eu sou aquela que pinta a cara e grita ao megafone, e à noite abraça o bichinho de pelúcia. Aquela que veste a armadura mas por dentro quebra. Sou a contradição.

A contradição tem força, porque nos força a se questionar o tempo todo. Não posso ser pássaro e árvore ao mesmo tempo. Não posso ser livre e ter raízes bem fincadas no chão.

Foi para isso que a natureza criou a rosa; toda a suavidade da pétala aveludada e a violência dolorida dos espinhos, exatamente onde nossos dedos devem tocar.


Aquela rosa na beira de estrada. Aquela que não está no jardim entre iguais. Aquela que sempre soube que estava ali só de passagem.


2 comentários: